O telefone toca. Uma mensagem recebida, número desconhecido. Por curiosidade abre, leva um susto, mas lê até o final: “tenho passado noites acordado, a fome e a sede não me deixam dormir. Meu apetite só se saciará com tua pele. Minha sede só será saciada com teus beijos”. Ficou puta, quem seria o engraçadinho. Respondeu com um “quem é você? ’, sem resposta. Tentou ligar, o telefone estava desligado. Não conseguiu dormir, a cabeça não descansava, precisava saber.
Acordou pela manhã, exausta. Ao olhar seu telefone outra mensagem: “ficou curiosa? Posso te dar a resposta, segue meu endereço de e-mail. Uma palavra “instinto” esse era o endereço. Relutante pensou, pensou, mas a curiosidade venceu, enviou a mesma pergunta. Algumas dezenas de minutos depois a resposta. “posso ser o que você quiser. Amante, escravo... Basta pedir.
Não conseguia acreditar, mas não deixava de ser excitante. Respondeu que não achava graça na brincadeira, que até poderia conversar desde que a pessoa se identificasse. Não obteve resposta. Ao menos não até o fim do expediente: “Quando estiver em casa, mande uma mensagem para o numero da mensagem de noite passada”. Dizia o e-mail.
Saiu do trabalho, foi ao supermercado, foi aqui e ali. Mas a duvida a seguia onde quer que fosse. Quem era? O que queria? Deveria mesmo mandar a mensagem? Chegou em casa, desligou o celular e foi para o banho. Ao sair olhou para o aparelho, vencida pela curiosidade enviou a mensagem.
Segundos depois o telefone tocou. O mesmo número. Tremula atendeu. Ouvia a respiração, ia desligar quando ouviu a voz do outro lado.
_Não resistiu à curiosidade é? [Deus do céu que voz é essa?]
_Que... Quem é você? Perguntou tremula e hesitante.
_Já disse, posso ser quem você quiser...
_De onde me conhece, como tem meu telefone?
_Te vejo todos os dias, mas você não me vê, quanto ao telefone, bem, redes sociais não são tão seguras assim.
_Droga! Não tenho mais saco pra brincadeira, vou denunciar você!
_Vá em frente! Conta de e-mail falsa, telefone pré-pago...
_Filho da puta!
_Credo, que boca suja você tem. Quanto ódio em um corpo tão pequeno.
[Maldito, não está mentindo, sabe mesmo quem sou]
_Cara, você deve ser um maldito nerd, feioso, provavelmente um perdedor, caso contrário mostraria a cara.
_ Nossa, isso ofendeu. Assim você fere meus sentimentos, babe.
_ Chega, eu vou desligar o telefone, vou bloquear a caixa de e-mails.
_ Você pode tentar, mas sabe que sua curiosidade não a deixará em paz.
_ Mas vamos resolver isso logo. Estou em frente ao seu prédio. Desça!
_ Você tá de brincadeira? Não te conheço. Não ficaria a sós com você.
_ Garota esperta. Vá até o centro da cidade, me espere em frente ao chafariz, às 21h50, estarei com uma tulipa na mão. Vá sozinha!
_ Não! Não!
_ Se quer saber quem sou, esse é o único jeito.
Estava apavorada, não sabia se ia ou não, tinha pouco tempo para decidir. Mais uma vez vencida pela curiosidade cedeu.
No horário marcado estava no local combinado. Não demorou muito para avistar o homem vindo.
Pensou em correr, mas não conseguiu.
Era um homem não muito alto, cabelos castanhos, quase pretos, rosto liso, não era gordo ou magro, mas era grande, muito maior do que ela, após um instante de silêncio...
_ Não conseguiu resistir novamente. Sabia que viria.
_ Tá, agora me diga quem é você. Não me venha com a história de que será o que eu quiser. Pois não gostaria da resposta.
_ Sempre tão áspera, tão selvagem. Você é uma raridade, não é um personagem na rede.
_ Puta que pariu, fala logo o que você quer. Porra!
_ Vamos ao ponto, anos atrás, sete para ser exato, ensino médio, festa da primavera. Eu cheguei e ofereci uma flor, uma tulipa como esta. Você riu de mim, me mandou voltar para meu planeta.
_ Como assim? Não acredito... Você fez tudo isso por uma coisa idiota dessas?
_ Idiota pra você. O que fiz foi retribuir a você às noites em claro me perguntando o porquê da rejeição, da humilhação.
_ Olha, me desculpa, não sabia que era tão importante...
_ Não precisa se desculpar, não mais. Eu até tenho que te agradecer.
_Você só pode ser louco.
_ Não fosse o que você me fez eu teria ou ficado preso no meu mundo vivendo de migalhas, ou seria uma pessoa vazia e sem sabor feito você.
O homem entrega uma flor e um livro, na contra capa a foto dele, a mesma foto pendurada em um banner em frente a livraria, ao lado a dedicatória.
“Obrigado por me mandar de volta ao meu mundo!”
Junior Gros.
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